Não é de hoje que os meios de comunicação – principalmente a televisão e a internet – exageram na cobertura de certos fatos, tragédias ou eventos, mas nos últimos anos está piorando. A impressão que eu tenho é que o brasileiro está deixando de lado o direito de se divertir, ficar bem informado, para se inundar com uma avalanche de notícias de tragédia ou programas com temas que beiram o ridículo.
É claro que existem diversos canais com boa programação, mas o canais de TV aberta que apelam para o sensacionalismo parecem ter muito mais audiência. E a culpa não é toda, nem só dos canais, porque os jornais, programas policiais ou de “entretenimento”, que apelam para casos bizarros ou brigas de família, têm grande participação, comentários e continuam sendo assistidos. Recebem críticas também, mas parecem não importar com isso.
Hoje ficou normal acompanham perseguições policiais, sequestros, acidentes, incêndios, meteoros, tempestades, e esses eventos ganham um destaque tão grande que não conseguimos lembrar que existe todo um outro mundo, onde existe política, cultura, economia, que, por não ser “chocante”, não atrai tanto os espectadores.
Alguns casos não tão recentes de transmissão quase que 24 horas são os Casos Eloá e Nardoni. O primeiro foi acompanhado como um reality show, e o segundo teve reconstituição cinematográfica transmitida por vários canais em uma manhã tranquila de fim de semana. E, recentemente, o apresentador José Luis Datena negociou com um sequestrador ao vivo em seu programa, além de falar com delegados e criminosos presos recentemente, na frente do logotipo da polícia, acusando e se exaltando, e tendo que pedir desculpas aos telespectadores no início do outro bloco, isso quando não é processado por alguma ofensa.
Até onde essa cobertura intensa é válida e saudável? Não sou contra a cobertura televisiva ou de internet de casos marcantes e importantes, mas acredito que quem tem bom senso cansa de tudo que é exagerado. E o que é pior, as mudanças que os programas eloquentes propõem são super defendidas na época, mas com a mesma velocidade que surgem, são apagadas da memória da grande maioria da população. Enquanto houver pessoas para assistir e “aplaudir” a esses excessos jornalísticos, os criadores de conteúdo e programação vão lotar a telinha de reality shows puramente redundantes e programas cheios de sangue, entre outros espetáculos.
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Crítica produzida para a disciplina de Oficina de Leitura e Escrita - 2º Período - PUC Minas
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