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terça-feira, 18 de junho de 2013

Copa das Confederações - Parte 3 - Organização do Evento

No post anterior eu falei como foi o jogo e mostrei imagens do Mineirão durante a partida. Neste post eu quero listar os bons e maus momentos do primeiro jogo da Copa das Confederações em Belo Horizonte.

Se a intenção desse evento é preparar e testar a cidade para a Copa do Mundo, que será realizada em menos de um ano, há muito o que observar e mudar. No quesito obras, o estádio ficou pronto no prazo, foi entregue faz tempo, teve jogos locais, muita reclamação em relação à administradora Minas Arena, fez o que foi preciso, e está ai, participando do torneio. Já em relação às obras de mobilidade urbana, pouco foi feito. O BRT está a caminho, andando a passos bem lentos, assim como o trânsito da cidade.

Não podemos negar que as diversas regiões da cidade são bem atendidas com ônibus que vão até o Mineirão. Todos os ônibus que chegavam ao limite de segurança estabelecido pela FIFA receberam adesivos no vidro indicando que serviam como acesso ao estádio, porém, diversos pontos foram alterados, e o desembarque não ficou 100%. Mas tudo bem, é o primeiro jogo, serve para teste. 

Se chegar ao estádio não foi difícil, entrar foi um pouco cansativo, e sair e voltar para casa foi mais complicado ainda. A BHTrans disponibilizou linhas de ônibus gratuitas para torcedores com ingressos, saindo de estações chamadas de Terminal Copa, a partir do Barreiro, Centro, Cristiano Machado e Savassi, com a promessa de agilizar a chegada e o retorno do público.

A partir de um certo ponto, grades cercavam a UFMG e o entorno do Mineirão. Diversos voluntários uniformizados e treinados informavam que deveríamos ir subindo, passando por aqui e por ali, e alguns iam até motivando durante o caminho, dizendo que estava quase lá (ainda que estivéssemos na metade dos mais de 1km de caminhada até a esplanada do Mineirão). 

Quem chegou mais cedo não enfrentou muitos problemas para acessar os pontos de revista e de verificação de ingressos. Eu cheguei por volta das 14 horas, e sempre bem orientado, passei por um imenso labirinto de grades, que é muito útil quando há multidão, mas parecia uma bobagem naquele espaço vazio. Cada portão principal do estádio tem o seu setor de revista. Voluntários pedem para que você coloque todos os objetos de valor e de metal em um recipiente como os de um aeroporto e você deve passar num detector convencional. Se você estiver com alguma bolsa ou mochila, deve abri-la para que algum fiscal veja se não está carregando nenhuma arma ou algo do tipo. Mas a revista acaba ai. Todo aquele manual entregue aos torcedores me pareceu feito para assustar.


Ponto de revista antes da entrada no estádio.
Grades marcam o caminho dos torcedores
Ao sair desse ponto, passamos por um outro espaço, e entramos em mais um leve labirinto. Toda a história de verificação super exigente dos ingressos também não foi feita. Um equipamento, provavelmente muito rápido e potente, como um scanner, foi passado no ingresso. Ao simples apito, minha entrada foi liberada. Nada de consultar minha categoria, não foi solicitada nenhuma identidade, carteira de estudante ou comprovante de residência, como foi informado no momento da retirada dos ingressos. No caso do meu amigo, a carteira de estudante já foi solicitada. Isso é resultado de negligência ou preguiça dos funcionários? Falta de treinamento ou inexperiência por ser a primeira vez? Depois não poderão reclamar de pessoas utilizando de categorias incorretas, ou algum outro problema na entrada.


Sobre a sinalização, diversos voluntários estavam com bastões luminosos e dedos gigantes apontando a direção de entrada e dos portões. Alguns estavam com placas que diziam Hospitality, provavelmente para atender algum estrangeiro que necessitasse de ajuda. Já no quesito Sinalização em Placas, acredito que há muito a fazer. Pensei nos meus amigos que falam espanhol. Todas as placas presentes no estádio traziam as informações em português e inglês, mas nada em espanhol ou qualquer outra língua. Devemos ressaltar que Espanha, México e Uruguai falam o idioma ou derivados.

Diversos setores do estádio ficaram vazios e pareciam
não ter nenhum ingresso vendido
Sobre os assentos, a orientação era seguir fielmente o número indicado no ingresso. Vi diversas pessoas pedindo orientação para achar o assento certo, e outras procurando até encontrar, mas muitas outras também largaram o bom senso de lado, e escolheram o lugar onde podiam reunir os amigos, que por causa do sistema de ingressos, ficaram divididos em fileiras diferentes. Eu mesmo fiz isso, e não tinha porque não fazer. Não há nenhuma divisão entre os blocos, e a baixa ocupação do estádio, que não chegou a 35% da capacidade, quase convidava você a trocar de lugar para um assento na sombra, longe de um vidro de proteção, ou que permitisse uma visão melhor do campo. Trocar de lugar deverá ser observado com mais rigor em jogos com lotação máxima ou com público maior, como deve ser o jogo entre Japão e México no sábado.

E quando o assunto é alimentação, é até difícil começar. Não sei se devo falar primeiro dos preços exorbitantes, das filas enormes, das poucas opções ou do preparo dos funcionários.

Tabela de preços dos alimentos no evento
Refrigerantes de 500ml e Água Mineral custam R$ 6,00. Um cachorro quente, tamanho tradicional, custa R$ 8,00. Uma lata de Brahma, denominada Cerveja Nacional, custa R$ 9,00 e um latão de Budweiser, Cerveja Importada, custa R$ 12,00. Tudo isso é servido em enormes copos de suas marcas, e nem por isso o público deixou de comprar. Como a VISA é a patrocinadora oficial, tem exclusividade na hora do pagamento, tanto nos pontos de venda quanto na loja oficial que está instalada dentro do estádio, com os diversos produtos licenciados que é melhor eu nem falar o preço.

Não faltavam pontos de venda de comidas e bebidas, eles estavam espalhados em várias partes dos corredores de acesso do estádio, e os funcionários pareciam até bem treinados, até que algum produto acaba, e uma mulher começa a reclamar pela demora na chegada, enquanto um dos funcionários informa que já estava chegando, era só esperar um pouquinho, mas parecia não adiantar.

Apesar dos vários funcionários atendendo nos bares, a fila era enorme no intervalo do jogo

Tudo estava indo muito bem, até que as tão potentes máquinas de pagamento em cartão da VISA deram pane. Sim, em um dado momento do intervalo do jogo, momento em que as filas triplicaram de tamanho, as máquinas pararam de funcionar, e o pagamento só poderia ser feito em dinheiro. Será que o fluxo foi tão grande que o sistema não aguentou? Resta saber se será assim em jogos com mais do que 20 mil pessoas, visto que o Mineirão tem capacidade para o triplo. Haviam bares fechados, mas quando o público for maior, não basta colocar mais funcionários, os produtos tem que ser entregues logo, o pagamento deve ser feito rápido, porque ninguém vai aguentar esperar numa fila por 10, 20 minutos, para pagar caro por um produto e ainda ter outros problemas. Ou não, porque quem paga R$ 7,00 num chocolate Talento ou numa batata ondulada Yokitos, deve ter paciência para muita coisa.

Na volta para casa, ao ser orientado pelos voluntários para evitar a saída da Av. Antônio Carlos, por causa da manifestação que ocorreu na noite de segunda feira, a grande multidão voltou por onde viemos. Um mar de gente, que encheu a avenida e correu para os ônibus, táxis e estacionamentos distantes, e a dispersão demorou mais de uma hora. Os ônibus que serviram bem para chegar ao estádio decepcionaram e muito na hora da volta. Pouquíssima sinalização de pontos, desvios, rotas ou algo do tipo, pouca informação com voluntários, policiais e funcionários da BHTrans que controlavam o trânsito. Em alguns momentos, veículos oficiais e ônibus tinha preferência e interrompiam a circulação. Diversos batedores da polícia escoltaram o comboio que levou Joseph Blatter, presidente da FIFA, após o fim do jogo. E os ônibus que já passavam cheios, lotavam ainda mais. 

Ao procurar por táxis, a decepção continuava. No ponto indicado nas placas, chamado de Taxi Usiminas, na porta do prédio da instituição, mais de 10 pessoas esperavam e nenhum táxi passava ou se encontrava ali. Por fim, o Terminal Copa, numa das entradas da UFMG, contava com uma fila de cerca de 100 pessoas que esperavam por um ônibus, já passado mais de uma hora do fim do jogo. Pessoas queriam entrar no primeiro ônibus que viam, ignorando a fila, e eram igualmente ignorados pelos motoristas. Quando o ônibus chegava vazio e as portas abriam, 50 pessoas entravam de uma vez, e nenhuma conferência de ingressos foi realizada na minha tentativa. Após esperar alguns minutos para entrar na avenida, pegamos um trânsito leve, mas o ônibus seguiu direto até o centro da cidade, onde fez uma breve parada para atender algumas pessoas, e seguiu para a Savassi. Eu desci e terminei minha participação na copa. Peguei outro ônibus e enfim cheguei em casa, depois de quase 7 horas num circuito de ida e volta, com um belo jogo no meio. 

Resumindo, este é só o começo. Se a cidade quiser mostrar que tem capacidade para receber um grande evento, vai ter que trabalhar muito. Muitas pessoas estão insatisfeitas com o transporte e a organização num dia onde apenas 20 mil pessoas assistiram o jogo. Imagina só quando 62 mil pessoas estiverem presentes? O caos poderá ser maior ainda.

Esse texto não será lido por muitas pessoas, e talvez não chegue a nenhuma autoridade, mas eu precisava falar do que vi e vivi, para que, como estudante de jornalismo, sinta o dever cumprido de participar de um grande evento que mostra a cara do Brasil.


André F. Correia

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