Estamos novamente vivendo um período de "últimos dias", como se o mundo estivesse para acabar. Esta história de que algo extraordinário está para acontecer, e que isso faria o mundo acabar, ou pelo menos ressurgir, já é velha. E isso vira até motivo de piada, principalmente na internet. Os mais jovens usam disso para falar que nem fizeram 18 anos e já passaram por várias datas possíveis para o fim do mundo. Eu já não sou tão novo assim.
O mito da vez (eu acredito que seja um mito) é o da cultura maia, que o calendário de contagem longa traz evidências de que o dia 21 de dezembro de 2012 seria o fim de um ciclo. Mas é claro que os mais exagerados interpretam este fim de um ciclo como o fim de toda a humanidade, e há vários sites sobre o tema. E também, a indústria não podia deixar de aproveitar do momento, e desde 2008 vem lançado filmes sobre o tema, só que com finais "felizes", ou pelo menos esperançosos, pois um dos grandes problemas de toda essa crença é que várias pessoas mal informadas acreditam, e mudam suas vidas levando em conta o "fim do mundo".
É difícil de acreditar que alguém em pleno século 21 aposta que o mundo vai realmente acabar de uma hora pra outra, mas nas outras vezes em que este era o assunto geral, pessoas chegaram a suicidar, para não ver passar por isso. É como morrer para não perder a vida. Redundante, e triste.
A maioria dos filmes apocalípticos mostram um grupo de pesquisadores, que estão sabendo de algo grandioso acontecendo, e saem alertando à todos, mas mesmo assim, muita gente morre, e no final, alguém nasce, ou o temor passa, e o mundo "renasce", salvando a civilização. Cheios de efeitos, músicas e ação, costumam ser sucessos de bilheteria, e não mais do que isso. Pura ficção, são até bons de assistir para esquecer das comédias e filmes de terror de costume.
As teorias costumam relacionar o alinhamento dos planetas à fenômenos catastróficos, e outros relacionam as grandes mudanças climáticas com tempestades e terremotos. Esta última é um pouco mais aceitável, mas marcar uma data já é querer demais. Eu até acredito um pouco nesta, de que tudo que a humanidade está fazendo, vai gerar consequências nada boas. Mas o retorno será a longo prazo, e quem começou a "bagunça" não deverá estar mais aqui para ver o desastre.
Outro ponto onde a indústria está ganhando dinheiro com isso (ou pelo menos tentando ganhar algo) é com o comércio de produtos e eventos. Temos desodorante, cerveja, pulseiras, ingressos para conferências das mais variadas, e até festas no dia 21.
Enfim, vamos viver do mesmo jeito, não é a primeira vez que o mundo está para acabar. O bug do milênio está ai para confirmar essas teorias causam no máximo, uma confusão geral. O dia já está chegando, e eu espero que as pessoas não façam nada de absurdo achando que este será o último dia. E só sei de uma coisa: se houver uma ameaça de chuva, com um relâmpago que seja, muita gente vai passar a acreditar.
Se eu estiver errado, ou não, nós vemos no dia 22.
André F. Correia
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