O Desatino da Rapaziada, de Humberto Werneck
Lançado em 1992, O Desatino da Rapaziada, do jornalista e escritor Humberto Werneck,
conta a história do jornalismo e da produção literária e cultural em Belo
Horizonte, numa época em que várias publicações surgiam e desapareciam com a
mesma velocidade – algumas delas com meia dúzia de edições, outras com apenas
uma, ou até mesmo nenhuma edição lançada – movidas pelo entusiasmo dos jovens
escritores, influenciados por tantos outros. A história começa a ser contada no
momento em que Carlos Drummond de Andrade, que anos depois se tornaria autor
renomado de vários livros, entra na redação do Diário de Minas, na Rua da Bahia, em 1921, nos seus primeiros
momentos na imprensa de Belo Horizonte.
Segundo o autor, este “adolescente
magrinho, de óculos” é o personagem mais famoso dessa história, que aborda meio
século da vida de jornalistas e escritores em redações de jornais e revistas de
Minas Gerais, e cita diversas gerações de escritores que acabaram se reunindo, sejam
em publicações, redações de jornal, livrarias ou nos bares. Alguns dos jornais
mencionados no livro são o Folha de Minas,
Minas Gerais, O Estado de Minas (diferente do atual Estado de Minas), Correio
Mineiro, Diário da Manhã, Diário da Tarde, entre outros, alguns
com longa história, e outros com vida curta.
As quatro figuras centrais da primeira
geração foram Drummond, Milton Campos, Alberto Campos e Emílio Moura, mas além
desses, o livro conta histórias de personagens importantes como Mário de
Andrade, Cyro dos Anjos, Otto Lara Resende, Murilo Rubião, Rubem Braga, Paulo
Mendes Campos, Eduardo Frieiro, Rosário Fusco, Guilhermino César, e muitos
outros. Entre as publicações literárias citadas estão as revistas Verde, Edifício, Electrica, Binômio, Estória, Revista de Cinema,
além dos vários jornais. Muitos desses acabaram por fechar as portas por perder
colaboradores, problemas financeiros, ou pela ditadura.
Entre os casos memoráveis contados por
Werneck, está o que ele relata Drummond e outros escritores em escaladas
noturnas do arco do viaduto de Santa Tereza, recém-inaugurado, nos anos 20,
hábito repetido por outra geração de escritores, da chamada geração de 45. Sem
contar as várias páginas que fotos e capas de publicações, que recheiam e
ilustram o livro que é pura história da cidade, e leitura indispensável para
quem se interessa pelo assunto.
Resenha produzida para a disciplina de Introdução ao Jornalismo - 1º Período - PUC Minas
André F. Correia
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